terça-feira, 7 de setembro de 2010
Enredos de Viela Parte 2
Meu Deus , eu olho o Brasil e vejo tanta riqueza tanto desprezo , vejo o menor , vestido em roupas de amargura calcando o nojo da fissura do solo de uma mãe que não lhe foi muito gentil. Deitado ao chão sobre as lamas da burocracia e sob o Ceú que é seu této e protetor , será culpa de José ou da pobre Maria , será culpa do destino ou da aristocracia que finge não ver prefere esquecer. Vou gritar pra que a pátria maltratada possa ouvir meu cantar ecoando aos sons dos mares por ai , vou gritar até perder a voz até as forças sucumbir , vou chorar o silencio e a tristeza , pra tentar padecer com a certeza de que não foi em vão a minha oração . Meu Deus eu olho o Brasil e vejo ......
Esse pequeno texto e o retrato da indignação de um jovem adolescente que vivenciou e presenciou fatos corriqueiros que transitam as margens da sociedade .Na minha adolecencia convivi com menores infratores , que pra mim eram apenas amigos e não infratores, éramos crianças , brincando de policia e ladrão , jogavando bola , e nos divertindo com as mais variadas brincadeiras de rua ......... certo dia numa brincadeira de policia e ladrão , perguntei: Quem vai ser o policial e quem vai ser o ladrão e o "Dê" respondeu: Eu vou ser o ladrão , igual ao meu tio ! Foi como se ele tivesse escolhido essa opção , mas mal sabe ele que ele estava redondamente enganado, mal sabia ele que ser ladrão não foi uma escolha que ele mesmo fez foi uma necessidade implantada pelo sistema em varias famílias daquele bairro humilde que contaminou as gerações por vir .... Havia um Patrão "Fio" , parecia ser um cara legal , sempre pagava agrados no barzinho da esquina da rua Iguassu "Bar do Ceará" , era ele e mais uns manos , que tomavam conta da rua e dos negócios , lembro de uma Cena alarmante que se deu ali . Estávamos jogando bola , varias crianças eo o Patrão e os caras jogando com agente , sem massagem , derrepente tudo muda de figura nem sei bem ao certo o que aconteceu .....
uma viatura para o jogo na rua estreita quase atropelando a molecada , com o semblante assombrado um Japonês desce da viatura aponta a arma para os menores como se fossemos a maior ameaça do mundo , ele se mordia feito um cão sarnento , enquanto isso outros policiais cobravam o Patrão e seus subordinados algo que na época eu não entendi muito bem , mas cobravam com fogo e ferro , tapa na cara e os caraio ..... confesso que não sei se senti medo , só sei que na hora eu senti uma forte adrenalina que chegou até a me empolgar , meus amigos demonstravam sentir algo parecido , uma tremedeira com um sorriso discreto e sensação de fazer parte daquilo , "da FIRMA" ,
depois de tapas na cara , cuspidas e humilhação a Policia puxa a Barca com ar de imponência e superioridade , levaram um dos subordinados que acabou virando o pagamento da divida , esse não voltou mais ...... depois foi a vez do "Fio" lembro ter ouvido uma história sobre ele ter esfaqueado um malandro e tal's , não deu outra , vieram cobrar , e cobraram juro e correcção monetária , a rua Iguassu havia perdido o Guardião . Bom ..... esse câncer da criminalidade como já era de se esperar envenenou a minha geração o Dê puxou cadeia , virou ladrão como havia dito aos amigos na infância juntamente com o Sammy amigo que tive bem próximo na infância e que acabou morrendo pela banalidade e futilidade que o cenário do crime tem , muitos jovens de cabeça fraca .
Depois na adolecencia , novas amizades e os mesmos perfis ..... jovens seduzidos pelo crime , perdi vários deles que já nem consigo mais contar nos dedos , da minha geração muitos se foram , restaram alguns que ainda não se foram , e continuam a apertar a mesma tecla , estão inebriados , por um elixir que o sistema e a sociedade em geral derramou na periferia e contaminou muitos jovens , a impunidade , as drogas , a corrupção, a desestruturação familiar , falta de oportunidades e etc . A nossa Pátria Mãe Gentil não é tão gentil assim , talvez o poeta estivesse com uma venda nos olhos .
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